A Elite do “Opt-Out”

A pesquisa de Hersch explica por que as tendências no topo não são representativas nem mesmo das pessoas com ensino superior, muito menos da maioria da população de mães que trabalham.

O recente artigo de Claire Cain Miller sobre as “pausas na carreira” das mães me lembra a controversa peça de Lisa Belkin, “The Opt-Out Revolution (A Revolução do Opt-Out)”, publicada há cerca de doze anos. Em ambos os casos, as preferências expressas pelas mulheres recebem mais atenção do que suas circunstâncias econômicas particulares, dificultando a avaliação das escolhas disponíveis para elas (um ponto que Myra Strober fez em uma postagem anterior e que Pamela Stone explicou eloquentemente em resposta a Belkin).

Também em ambos os casos, o destaque recai sobre mulheres que podem ser descritas como elite. Miller, por exemplo, detalha as experiências de graduadas da Harvard Business School.

Ao procurar pesquisas recentes sobre essas questões, encontrei uma análise empírica surpreendente — e, a meu ver, bastante convincente — da economista Joni Hersch, mostrando que mães que se formaram em instituições de ensino de elite têm mais probabilidade do que outras mães com ensino superior de abandonar o emprego remunerado. Pode parecer contraintuitivo, já que essas mulheres têm rendimentos reais e potenciais mais elevados, mas elas também tendem a ser casadas com homens de rendimentos mais altos.

O efeito da renda familiar mais alta parece dominar. Hersch observa que essas mães dedicam um tempo substancial ao cultivo planejado de seus filhos, presumivelmente para que eles também possam ser admitidos em uma escola de elite. O aumento da desigualdade de rendimentos entra em cena como causa e consequência da variação nas trajetórias de trabalho das mulheres.

Esta análise NÃO implica que as graduadas de instituições de elite não sejam afetadas por problemas estruturais, como a falta de empregos favoráveis à família ou de creches públicas. Como deixa claro um artigo anterior de Miller, muitas mães que se formaram na Harvard Business School viram frustradas suas esperanças de alcançar o equilíbrio entre trabalho e família.

Mas a pesquisa de Hersch explica por que as tendências no topo não são representativas nem mesmo das pessoas com ensino superior, muito menos da maioria da população de mães que trabalham. Quando li o artigo de Miller pela primeira vez, o termo “pausa na carreira” me pareceu mais preciso do que “optar por sair”. Agora, parece-me que precisamos de ambos os termos.

Agradecemos a Thomas Hawk por disponibilizar sua imagem de “Stay at Home Mom” no Flickr.com por meio de uma Licença Creative Commons

Nota: Uma versão anterior desta postagem escreveu incorretamente o nome de Joni Hersch.

Postado em 30 de julho de 2015

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