{"id":5140,"date":"2019-01-30T08:45:14","date_gmt":"2019-01-30T08:45:14","guid":{"rendered":"https:\/\/revcaredev.wpenginepowered.com\/relato-como-aprendi-a-amar-a-macroeconomia\/"},"modified":"2026-09-10T19:07:10","modified_gmt":"2026-09-10T19:07:10","slug":"relato-como-aprendi-a-amar-a-macroeconomia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revaluingcare.org\/pt-br\/relato-como-aprendi-a-amar-a-macroeconomia\/","title":{"rendered":"Relato \u2014 Como Aprendi a Amar a Macroeconomia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desprezei a macroeconomia \u2014 mesmo as vers\u00f5es relativamente inovadoras, p\u00f3s-keynesianas e com perspectiva de g\u00eanero \u2014 por muitos anos, por dois grandes motivos. Primeiro, a macro permanece amplamente focada em uma vari\u00e1vel de produto, o Produto Interno Bruto, que mede erroneamente o valor total dos bens materiais e servi\u00e7os produzidos. Segundo, ela trata a quantidade de um de seus insumos mais importantes, o trabalho, como algo dado exogenamente e\/ou relativamente sem import\u00e2ncia. <\/p>\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:21% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"242\" src=\"https:\/\/revaluingcare.org\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/learned-fullsizeoutput_27b-300x242-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2406 size-full\"\/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto est\u00e1 muito errado. As economias n\u00e3o podem ser reduzidas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mercadorias por meio de mercadorias. Elas devem ser compreendidas, de forma mais ampla, como a produ\u00e7\u00e3o de pessoas por meio de pessoas. O meu colaborador James Heintz desenvolve esta cr\u00edtica em termos excepcionalmente claros e acess\u00edveis em seu novo livro <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/cup.columbia.edu\/book\/the-economys-other-half\/9781788210638\" target=\"_blank\">The Economy\u2019s Other Half<\/a> (A Outra Metade da Economia). Todos os participantes do projeto Gender and Macro, sob a rubrica do projeto <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/research.american.edu\/careworkeconomy\/\" target=\"_blank\">Care Work and The Economy<\/a>, est\u00e3o, de uma forma ou de outra, subvertendo o paradigma convencional.     <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles realmente me ensinaram a amar a macroeconomia ao mostrar como modelos anal\u00edticos podem enriquecer relatos narrativos de reprodu\u00e7\u00e3o social. Fiquei t\u00e3o inspirada que cheguei a assistir a um curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (ministrado por ningu\u00e9m menos que James Heintz) e revisei meu c\u00e1lculo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voltei a ler alguns artigos cl\u00e1ssicos de Paul Samuelson e outros, que explicam por que as transfer\u00eancias intergeracionais (incluindo o apoio e o cuidado de crian\u00e7as e idosos) n\u00e3o podem ser organizadas por trocas volunt\u00e1rias.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">James e eu delineamos algumas das formas como os economistas conceituaram os gastos com crian\u00e7as em um <a href=\"https:\/\/dialnet.unirioja.es\/servlet\/articulo?codigo=6038695\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo<\/a> conjunto publicado no peri\u00f3dico basco <em>Ekonomiaz<\/em> (tamb\u00e9m dispo<a href=\"https:\/\/www.peri.umass.edu\/publication\/item\/1019-investment-consumption-or-public-good-unpaid-work-and-intra-family-transfers-in-the-macro-economy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">n\u00edvel<\/a> no site do Political Economy Research Institute). Mais recentemente, ele liderou outro artigo conjunto que explica como os modelos macro de longo prazo minimizam a import\u00e2ncia da mudan\u00e7a demogr\u00e1fica (\u201cEndogenous Growth, Population Dynamics, and Returns to Scale: Long-Run Macroeconomics When Demography Matters\u201d). <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parece bastante \u00f3bvio que modelos que tratam o crescimento populacional como ex\u00f3geno ignoram o elo mais importante entre a economia familiar e a economia de mercado. \u00c9 muito menos \u00f3bvio que suposi\u00e7\u00f5es relativas a retornos constantes de escala em fun\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o possam ter implica\u00e7\u00f5es semelhantes. Nosso artigo explica por que este \u00e9 o caso. Ele tamb\u00e9m desenvolve um modelo de crescimento end\u00f3geno que destaca os efeitos macroecon\u00f4micos potencialmente negativos de taxas de crescimento populacional que s\u00e3o \u201cbaixas demais\u201d ou \u201caltas demais\u201d. Decis\u00f5es microecon\u00f4micas nem sempre levam magicamente a bons resultados macroecon\u00f4micos.    <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As taxas de fertilidade abaixo do n\u00edvel de substitui\u00e7\u00e3o, agora comuns em muitos pa\u00edses, incluindo os EUA, It\u00e1lia, Espanha, Coreia e China, podem ter implica\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas negativas, assim como as altas taxas de fertilidade caracter\u00edsticas de muitos pa\u00edses subsaarianos. Em uma sequ\u00eancia deste artigo, planejamos desenvolver seus fundamentos microecon\u00f4micos de forma mais completa, demonstrando os efeitos macroecon\u00f4micos de pol\u00edticas p\u00fablicas, como aux\u00edlios parentais e licen\u00e7as familiares remuneradas, bem como mudan\u00e7as no poder de barganha das mulheres no lar. Este modelo tamb\u00e9m poderia trazer as pol\u00edticas de imigra\u00e7\u00e3o para o centro das aten\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas.  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem diria que a macroeconomia poderia ser t\u00e3o divertida?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As economias n\u00e3o podem ser reduzidas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mercadorias por meio de mercadorias. 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