{"id":5118,"date":"2016-01-15T08:29:26","date_gmt":"2016-01-15T08:29:26","guid":{"rendered":"https:\/\/revcaredev.wpenginepowered.com\/definindo-sistemas-alternativos\/"},"modified":"2026-09-10T18:56:29","modified_gmt":"2026-09-10T18:56:29","slug":"definindo-sistemas-alternativos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revaluingcare.org\/pt-br\/definindo-sistemas-alternativos\/","title":{"rendered":"Definindo \u201cSistemas Alternativos\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos economistas neocl\u00e1ssicos nem sequer usam a palavra \u201ccapitalismo\u201d, referindo-se, em vez disso, a uma \u201csociedade de mercado\u201d ou, \u00e0s vezes, a uma sociedade \u201cmoderna\u201d. Acho que isso \u00e9 um erro grave. Precisamos de palavras para descrever os arranjos institucionais nos quais os mercados est\u00e3o inseridos, porque esses arranjos institucionais moldam os resultados de mercado. Por outro lado, muitos economistas de esquerda usam a palavra \u201ccapitalismo\u201d como um r\u00f3tulo abrangente para o nosso sistema econ\u00f4mico global. Capitalismo \u00e9 tudo e est\u00e1 em toda parte.    <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o capitalismo \u00e9 definido nesses termos, n\u00e3o h\u00e1 como escapar dele. Essa defini\u00e7\u00e3o apaga a import\u00e2ncia das diferen\u00e7as econ\u00f4micas baseadas em g\u00eanero, ra\u00e7a\/etnia e cidadania, tratando-as puramente como aspectos de \u201cidentidade\u201d, e n\u00e3o como rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o. Eu me alinho a uma cr\u00edtica lan\u00e7ada h\u00e1 mais de dez anos pela ge\u00f3grafa radical h\u00edbrida JK Gibson-Graham em <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/books.google.com\/books\/about\/The_End_of_Capitalism_as_We_Knew_It.html?id=Ei-8RHkKIxUC\" target=\"_blank\"><em>The End of Capitalism As We Knew It<\/em><\/a>. Ao definir o capitalismo como hegem\u00f4nico, n\u00f3s o tornamos assim. N\u00f3s lhe damos poder sobre nossas vidas e nossas ideias. N\u00f3s restringimos o espa\u00e7o dispon\u00edvel para a articula\u00e7\u00e3o de alternativas.     <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Teorias feministas da interseccionalidade sugerem que devemos descrever o mundo em termos de estruturas h\u00edbridas e sobrepostas de desigualdade. Essa descri\u00e7\u00e3o ajuda a explicar tanto a estabilidade das estruturas hier\u00e1rquicas quanto seus pontos de vulnerabilidade. Da\u00ed sua relev\u00e2ncia para discuss\u00f5es sobre \u201calternativas\u201d.  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao desenvolver mais esse ponto geral, quero explicar 1) por que a teoria feminista defende uma descri\u00e7\u00e3o mais complexa da economia dos EUA do que \u201ccapitalista\u201d 2) as implica\u00e7\u00f5es dessa descri\u00e7\u00e3o para como pensamos a \u201csocial-democracia\u201d e sua rela\u00e7\u00e3o com o socialismo 3) o que isso significa para o engajamento pol\u00edtico pr\u00e1tico hoje.   <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O legado da economia pol\u00edtica marxiana nos leva a definir a economia em termos do setor corporativo com fins lucrativos. Mesmo esfor\u00e7os bem conhecidos para articular uma vis\u00e3o de socialismo de mercado, uma ruptura radical com o planejamento democr\u00e1tico centralizado, concentram-se principalmente no setor com fins lucrativos. Mas a economia dos EUA, para dar um exemplo, \u00e9 muito maior do que o setor com fins lucrativos. Ela inclui um grande setor p\u00fablico (cujo tamanho \u00e9 subestimado em rela\u00e7\u00e3o ao setor privado por causa de v\u00e1rias regras cont\u00e1beis arbitr\u00e1rias). Grande parte dos gastos nesse setor p\u00fablico \u00e9 dedicada ao cuidado, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e ao desenvolvimento de capacidades humanas em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os sociais.    <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nosso sistema econ\u00f4mico tamb\u00e9m inclui um n\u00famero substancial de organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos e muitas empresas com fins lucrativos explicitamente comprometidas com objetivos sociais mais amplos, incluindo neg\u00f3cios de propriedade e gest\u00e3o dos trabalhadores. Nosso sistema econ\u00f4mico tamb\u00e9m depende fortemente do trabalho n\u00e3o remunerado de pessoas dedicadas a atender \u00e0s suas pr\u00f3prias necessidades e \u00e0s de suas fam\u00edlias, amigos e vizinhos. Tais compromissos respondem por cerca de metade de todo o tempo dedicado ao trabalho nos EUA hoje, de acordo com a <a href=\"http:\/\/www.bls.gov\/tus\/\">American Time Use Survey<\/a>. (Para mais detalhes, veja este <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/blogs.umass.edu\/folbre\/2015\/08\/20\/work-for-profit-or-not\/\" target=\"_blank\">post<\/a> anterior).   <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em suma, uma parcela significativa do trabalho realizado nos EUA hoje n\u00e3o \u00e9 regida direta ou indiretamente por princ\u00edpios de maximiza\u00e7\u00e3o do lucro. J\u00e1 habitamos um mundo que inclui alternativas significativas \u00e0s formas capitalistas de organizar o trabalho, e seria \u00fatil passar mais tempo entendendo por qu\u00ea. Certamente, parte da raz\u00e3o \u00e9 que as demandas de cuidado com outros seres humanos\u2014\u2014junto com as implica\u00e7\u00f5es enormemente significativas do trabalho em equipe, das externalidades e dos bens p\u00fablicos&#8211;tornam invi\u00e1vel um sistema completamente capitalista. Aplicando uma express\u00e3o tomada do l\u00e9xico do materialismo hist\u00f3rico, atribuo essa varia\u00e7\u00e3o e complexidade nos arranjos produtivos \u00e0s for\u00e7as t\u00e9cnicas e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o. Isso leva a conclus\u00f5es muito diferentes da suposi\u00e7\u00e3o marxiana tradicional de que a provis\u00e3o p\u00fablica de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os sociais representa um elemento de consumo&#8211;um elemento duramente conquistado do sal\u00e1rio social, obtido pela classe trabalhadora, ou um epifen\u00f4meno do Estado de bem-estar keynesiano.  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas dimens\u00f5es diferentes da desigualdade s\u00e3o disputadas nessas arenas de reprodu\u00e7\u00e3o social. Lutas pol\u00edticas por um sal\u00e1rio m\u00ednimo mais alto, seguro de sa\u00fade de pagador \u00fanico, melhor financiamento das escolas p\u00fablicas, ensino superior gratuito, licen\u00e7a familiar remunerada, educa\u00e7\u00e3o na primeira inf\u00e2ncia, seguran\u00e7a na velhice, \u201cblack lives matter\u201d e direitos dos imigrantes n\u00e3o s\u00e3o meramente quest\u00f5es sociais. Elas tamb\u00e9m representam esfor\u00e7os para desenvolver formas alternativas de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A social-democracia n\u00e3o se trata de \u201ccompromisso de classe\u201d nem de reformismo sem coragem. Trata-se de socializar os custos e os riscos do desenvolvimento de capacidades humanas de maneiras que ampliem a oportunidade econ\u00f4mica e a justi\u00e7a. \u00c9 exatamente por isso que as disputas pol\u00edticas sobre a abrang\u00eancia e o financiamento de tais programas n\u00e3o podem ser reduzidas a interesses de classe. Elas s\u00e3o permeadas por conflitos baseados em cidadania, ra\u00e7a\/etnia, g\u00eanero e idade, entre outros.   <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, o conflito de classes desempenha um papel central. Em uma economia global cada vez mais desnacionalizada, com excedente de m\u00e3o de obra, o capital acha cada vez mais f\u00e1cil evitar pagar os custos do desenvolvimento de capacidades humanas. A transfer\u00eancia de lucros e os para\u00edsos fiscais internacionais s\u00e3o apenas os exemplos mais \u00f3bvios. Economias capitalistas nacionais n\u00e3o conseguir\u00e3o encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para esse problema at\u00e9 reduzirem o peso da influ\u00eancia plutocr\u00e1tica por meio de (entre outras coisas) reforma do financiamento de campanhas e redistribui\u00e7\u00e3o significativa de renda e riqueza.   <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resumo: os esfor\u00e7os pol\u00edticos que descrevi acima \u00e0s vezes s\u00e3o interpretados como \u201creformistas\u201d porque n\u00e3o desafiam a L\u00d3GICA DO CAPITALISMO, em letras mai\u00fasculas. Mas eles s\u00e3o passos necess\u00e1rios no desenvolvimento de um sistema econ\u00f4mico sustent\u00e1vel, equitativo e eficiente, n\u00e3o uma distra\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a ele. Acho que muitos americanos compartilham essa vis\u00e3o. Acho que eles definem o socialismo em grande medida em termos de responsabilidade social pelo desenvolvimento e pela manuten\u00e7\u00e3o igualit\u00e1rios das capacidades humanas.   <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso \u00e9 especialmente verdadeiro para a gera\u00e7\u00e3o mais jovem. Uma pesquisa da <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.people-press.org\/2011\/12\/28\/little-change-in-publics-response-to-capitalism-socialism\/?src=prc-number\" target=\"_blank\">Pew Foundation<\/a> em dezembro de 2011 informou que 49 % das pessoas de 18 a 29 anos nos EUA tinham uma vis\u00e3o favor\u00e1vel do socialismo, em compara\u00e7\u00e3o com 46 % com uma vis\u00e3o favor\u00e1vel do capitalismo. A pesquisa n\u00e3o ofereceu uma defini\u00e7\u00e3o de socialismo, mas o apoio a ele n\u00e3o se dividiu nitidamente por linhas de classe. Apenas 24 % dos brancos, no total, tinham uma vis\u00e3o favor\u00e1vel do socialismo, contra cerca de 55 % dos afro-americanos e 44 % dos hisp\u00e2nicos. Entre todos os grupos \u00e9tnicos, os hisp\u00e2nicos tinham a vis\u00e3o menos favor\u00e1vel do capitalismo.    <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses resultados sugerem que o socialismo agora tem um significado muito mais amplo do que tinha antes. Eles tamb\u00e9m sugerem que algumas alternativas econ\u00f4micas importantes est\u00e3o ao nosso alcance. Vamos lutar por elas.  <\/p>\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>P.S. Eu falo mais sobre o que chamo de \u201csocialismo do cuidado\u201d em uma <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/inthesetimes.com\/article\/12167\/a_care_socialist_speaks_out\" target=\"_blank\">entrevista<\/a> na In These Times, de 2011, mas obviamente ainda estou trabalhando no que isso significa \u2014 e apreciaria especialmente quaisquer coment\u00e1rios ou cr\u00edticas.<\/em><\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Este post se baseia na minha apresenta\u00e7\u00e3o no painel de discuss\u00e3o \u201cEnvisioning Alternative Economic Systems\u201d, co-patrocinado pela Union for Radical Political Economics e pela International Association for Feminist Economics, durante as reuni\u00f5es da Allied Social Science Association em San Francisco, CA, em 5 de janeiro de 2016.<\/em><\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Publicado em 15 de janeiro de 2016.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tema \u201csistemas econ\u00f4micos alternativos\u201d geralmente \u00e9 entendido como \u201calternativas econ\u00f4micas ao capitalismo\u201d. 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